O empresário Tiago Oliva Schietti observa que o consórcio de motocicleta deixou de ser apenas uma alternativa de mobilidade urbana e passou a representar, para uma parcela crescente de trabalhadores de aplicativo, uma ferramenta de planejamento para adquirir o principal instrumento de trabalho sem recorrer a juros altos.
Historicamente, o segmento de motocicletas já figurava entre os que mais cresciam dentro do sistema de consórcios, especialmente entre consumidores da classe C, que passaram a enxergar na modalidade uma forma mais acessível de financiar a compra em comparação a outras linhas de crédito. Com a expansão de aplicativos de entrega e transporte nos últimos anos, esse perfil de consumidor ganhou um motivo adicional para considerar o consórcio: a motocicleta como ferramenta de geração de renda, e não apenas como bem de consumo.
Por que o consórcio atrai esse público específico?
Para quem depende da motocicleta para trabalhar, o custo total da aquisição do veículo impacta diretamente a rentabilidade da atividade. Assim, evitar os juros de um financiamento tradicional pode representar uma diferença relevante no orçamento mensal desse trabalhador, ainda que isso signifique aguardar a contemplação em vez de sair com o veículo no mesmo dia.
Tiago Oliva Schietti pondera, contudo, que essa espera é justamente o principal ponto de atenção para quem depende do veículo para gerar renda imediata: diferentemente de quem busca a moto para uso pessoal, o trabalhador de aplicativo muitas vezes precisa do bem o quanto antes, o que pode tornar o consórcio menos indicado para quem está começando a atividade sem nenhum veículo disponível.
Estratégias para conciliar planejamento e urgência
Uma alternativa observada entre esse público é o uso de lances, inclusive o lance embutido, para acelerar a contemplação sem comprometer totalmente a reserva financeira. Outra estratégia comum, segundo o empresário, é iniciar o consórcio como planejamento para a troca de um veículo já em uso, e não para a primeira aquisição, reduzindo a pressão pela contemplação imediata.

Convém lembrar que, como o consórcio não exige comprovação de renda tão rígida quanto algumas linhas de financiamento bancário, a modalidade tende a ser mais acessível para trabalhadores autônomos, cuja renda costuma ser variável e mais difícil de comprovar por meio de holerites tradicionais, um ponto que Tiago Oliva Schietti considera decisivo para esse público específico.
O peso do segmento no sistema de consórcios
Historicamente, o segmento de motocicletas costuma figurar entre os que mais crescem em número de participantes ativos dentro do sistema de consórcios, especialmente em ciclos de expansão da classe C, público que tradicionalmente vê na motocicleta um meio de transporte mais acessível do que o automóvel. Com a consolidação dos aplicativos de entrega como fonte de renda para milhões de brasileiros, esse segmento ganhou um novo perfil de consorciado: não apenas o consumidor que busca mobilidade pessoal, mas o profissional que depende diretamente do veículo para faturar.
Tiago Oliva Schietti expressa que essa mudança de perfil também altera a forma como as administradoras precisam se comunicar com esse público, já que as dúvidas de um trabalhador que depende do veículo para gerar renda são bem diferentes das de um consumidor que busca apenas trocar de moto por conforto ou estilo.
O que avaliar antes de aderir?
Antes de optar pelo consórcio de motocicleta como ferramenta de trabalho, vale considerar se há um veículo alternativo disponível durante o período de espera pela contemplação, e simular o impacto financeiro de continuar trabalhando com um veículo alugado ou emprestado nesse intervalo. Também é importante comparar o custo total do consórcio, incluindo taxa de administração e eventual lance, com o custo de um financiamento específico para motocicletas, que costuma ter condições diferenciadas em algumas instituições.
Por fim, Tiago Oliva Schietti reforça que, para trabalhadores que dependem do veículo para sua atividade profissional, a decisão entre consórcio e financiamento deveria considerar não apenas o custo financeiro, mas também o impacto da espera na geração de renda, um cálculo que vai além da matemática do crédito e exige uma análise mais ampla da própria atividade profissional.

