A produção brasileira de café deve alcançar 67,6 milhões de sacas beneficiadas em 2026, segundo a estimativa divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 24 de setembro. O volume representa crescimento de 19,6% em relação à safra de 2025 e, caso se confirme, será o maior registrado pela série histórica da estatal, iniciada em 2001.
O levantamento considera que 99% da área destinada à cultura já havia sido colhida. A projeção é influenciada principalmente pela bienalidade positiva do café, fenômeno que alterna anos de maior e menor produção em muitas lavouras, além do aumento da área em produção e da melhora na produtividade média nacional.
De acordo com a Conab, o resultado reúne comportamentos diferentes entre as duas principais espécies cultivadas no país. O arábica deve concentrar a maior parte da colheita, enquanto o conilon apresenta previsão de recuo na comparação anual.
Arábica responde pela maior parte da safra
A produção de café arábica está estimada em 48,2 milhões de sacas em 2026. Já o conilon deve alcançar 19,4 milhões de sacas, volume 6,6% inferior ao projetado para 2025. A diferença entre as variedades evidencia o impacto das condições regionais de cultivo sobre o desempenho da cafeicultura brasileira.
Minas Gerais aparece como principal destaque no arábica, com previsão de 34,96 milhões de sacas. O estado é o maior produtor brasileiro da variedade e concentra uma parcela expressiva das áreas cafeeiras do país, especialmente em regiões de montanha e no Sul de Minas, onde a atividade tem forte importância econômica e social.
No caso do conilon, o Espírito Santo, principal produtor nacional da variedade, deve registrar redução. Conforme detalhado pelo ConabCast, a queda está relacionada à florada irregular provocada por baixas temperaturas nas regiões produtoras capixabas.
Exportações avançam em agosto, mas acumulado recua
Os dados de comércio exterior também mostram movimentos distintos ao longo de 2026. Em agosto, o Brasil embarcou 3,8 milhões de sacas de café de 60 quilos. O volume foi 25,8% maior que o registrado em julho e 43,2% superior ao de agosto de 2025.
Apesar do desempenho mensal, as exportações acumuladas de janeiro a agosto somaram 24,6 milhões de sacas, queda de 6,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os números fazem parte das estatísticas de comércio exterior divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A diferença entre o resultado de agosto e o acumulado do ano reforça a necessidade de observar o mercado em períodos distintos. Um avanço pontual nos embarques não significa, por si só, reversão do comportamento anual, assim como a previsão de uma safra recorde não permite antecipar como os preços irão se comportar para produtores, cooperativas, exportadores e consumidores.
Clima continua determinante para a cafeicultura
Embora a estimativa da Conab aponte para uma produção recorde, o desempenho das lavouras permanece associado às condições climáticas de cada região. A situação do conilon no Espírito Santo, afetado por baixas temperaturas durante a formação da florada, mostra como eventos locais podem produzir efeitos diferentes sobre as variedades e os estados produtores.
Para Minas Gerais, a projeção de 34,96 milhões de sacas de arábica mantém o estado no centro da safra nacional. O resultado mineiro tem relevância direta para municípios produtores, cooperativas, armazéns, transportadores e demais segmentos ligados à cadeia do café, uma das principais atividades do agronegócio estadual.
A previsão de 67,6 milhões de sacas ainda é uma estimativa de produção, e não o resultado definitivo da safra. A consolidação dos números dependerá do encerramento da colheita, do beneficiamento e da apuração final das condições observadas nas diferentes áreas produtoras. Até o momento, os dados indicam um ciclo de forte oferta, sustentado sobretudo pelo desempenho do café arábica.

