Criada durante a WAIC 2026, a WAICO busca aproximar países em desenvolvimento das discussões globais sobre regras para IA, num momento de disputa por protagonismo tecnológico.
A disputa por quem vai definir as regras da inteligência artificial no mundo ganhou um novo capítulo nesta semana. O presidente chinês Xi Jinping anunciou a criação da Organização Mundial para Cooperação em Inteligência Artificial, batizada de WAICO, durante a abertura de um dos principais eventos do setor voltados à governança da tecnologia. Brasil 247
A escolha da sede não foi por acaso. A nova instituição internacional terá sede em Xangai e busca estabelecer uma governança multilateral para a inteligência artificial, consolidando o protagonismo chinês na definição das regras globais para essa tecnologia. O anúncio reforça uma disputa que já se estende há alguns anos entre China, Estados Unidos e União Europeia pela liderança normativa do setor. Brasil 247
O discurso do presidente chinês tocou em pontos que preocupam governos e empresas em todo o mundo. Segundo a cobertura do evento, Xi afirmou que o mundo vive um momento decisivo para responder aos desafios trazidos pela evolução acelerada da IA, citando questões como segurança, ética, impacto no emprego, decisões tomadas por algoritmos e o risco de aumento das desigualdades tecnológicas entre países ricos e pobres.
Cooperação com países emergentes e o papel do Brasil
É justamente nesse ponto que a proposta chinesa tenta se diferenciar de outras iniciativas já existentes. A China busca posicionar a WAICO como uma plataforma voltada a reduzir o chamado abismo tecnológico entre economias desenvolvidas e emergentes, oferecendo cooperação científica, capacitação e compartilhamento de tecnologias entre os países participantes. Brasil 247
Além do anúncio institucional, o evento trouxe compromissos mais concretos de formação de mão de obra. Durante a conferência, Xi também anunciou programas de treinamento em inteligência artificial para milhares de profissionais de países em desenvolvimento, além de novas iniciativas de cooperação com blocos como BRICS, ASEAN e União Africana. Para o Brasil, integrante do BRICS, esse tipo de parceria pode significar acesso a programas de capacitação técnica nos próximos anos. Brasil 247
O contexto em que a WAICO nasce também ajuda a entender sua relevância. A Conferência Mundial de Inteligência Artificial, realizada entre os dias 17 e 20 de julho, reuniu chefes de Estado, pesquisadores, executivos de grandes empresas do setor e representantes de organismos internacionais, e a edição deste ano ganhou peso histórico justamente por marcar o nascimento de uma instituição dedicada exclusivamente à governança da IA. Brasil 247
O que muda daqui para frente
Enquanto a diplomacia da inteligência artificial se movimenta em Xangai, o Brasil segue avançando em sua própria estratégia para o setor. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê investimentos bilionários até o fim da década, com iniciativas que vão da agricultura à segurança cibernética, e tende a ser influenciado pelo tipo de cooperação internacional que organizações como a WAICO pretendem oferecer.
Esse movimento chinês acontece num momento em que o debate sobre regulação da IA também avança em outras frentes, incluindo discussões na União Europeia e no próprio Congresso brasileiro sobre limites para o uso de dados e algoritmos. A diferença é que, agora, existe uma estrutura internacional recém-criada disputando espaço com fóruns já estabelecidos, o que deve gerar debate sobre qual modelo de governança prevalece nos próximos anos.
Para empresas e desenvolvedores brasileiros que trabalham com IA, o principal desdobramento a acompanhar é se, e como, o país vai participar formalmente dessa nova organização, já que a adesão a esse tipo de mecanismo internacional costuma vir acompanhada de programas de capacitação e intercâmbio técnico que podem beneficiar diretamente o setor de tecnologia nacional.
Fonte:
Brasil 247
