Representantes do Sistema CNC-Sesc-Senac, da Fecomércio MG e de mais de 100 participantes do trade turístico elaboraram um conjunto de propostas para orientar as políticas públicas de turismo em Minas Gerais entre 2027 e 2030. O documento foi divulgado em 3 de setembro de 2026, por meio do programa Vai Turismo – Rumo ao Futuro, e está sendo apresentado aos candidatos ao governo estadual.
A agenda reúne recomendações para diferentes áreas consideradas estratégicas ao desenvolvimento do turismo mineiro. Entre os temas estão acessibilidade, criatividade, governança, inovação, marketing, mobilidade, segurança, sustentabilidade e tecnologia. A proposta não representa, neste momento, uma política pública já adotada pelo Estado, mas uma contribuição ao debate eleitoral e institucional sobre o futuro do setor.
As informações foram divulgadas pelo Descubra Minas, que também disponibiliza o documento “Propostas e Recomendações de Políticas Públicas de Turismo – Minas Gerais”, associado à Fecomércio MG.
Infraestrutura aparece entre as prioridades
Um dos principais pontos do documento é a necessidade de melhorar a infraestrutura utilizada por moradores e visitantes. As recomendações citam a recuperação e a qualificação das rodovias, a ampliação da conectividade aérea regional e a modernização do transporte intermunicipal como medidas importantes para facilitar o deslocamento entre destinos mineiros.
A sinalização turística também aparece entre as prioridades. A adoção de informações mais claras e estruturadas pode contribuir para orientar os visitantes durante os deslocamentos e fortalecer a integração entre atrativos, municípios e regiões turísticas. O tema se relaciona ainda à acessibilidade, outro dos eixos incluídos na agenda apresentada pelo setor.
Minas Gerais reúne destinos históricos, áreas naturais, manifestações culturais, gastronomia e produção local em diferentes regiões. Nesse contexto, as propostas defendem uma visão integrada da atividade turística, com ações capazes de conectar os atrativos à infraestrutura necessária para receber visitantes e apoiar os empreendedores.
Integração entre governo, municípios e iniciativa privada
O documento também propõe maior articulação entre o governo estadual, as prefeituras, a iniciativa privada, as universidades e as instâncias regionais de governança. A ideia é fortalecer o planejamento conjunto e ampliar a cooperação na definição de prioridades para o turismo em Minas Gerais.
Essa integração é apresentada como necessária para que as políticas públicas considerem as características de cada território. Municípios com vocação para o turismo histórico, cultural, de natureza ou gastronômico podem ter necessidades distintas em áreas como mobilidade, divulgação, qualificação profissional e preservação de atrativos.
A qualificação de gestores e trabalhadores do setor também faz parte das recomendações. O documento relaciona a formação profissional a temas como atendimento, idiomas, inovação e sustentabilidade. A preparação de pessoas que atuam diretamente com o visitante é apontada como elemento associado à melhoria da experiência turística.
Patrimônio e cultura como experiências turísticas
Outra frente da agenda é a valorização do patrimônio histórico, da gastronomia, da arte, dos produtos locais e das manifestações culturais de Minas Gerais. A proposta é transformar esses elementos em experiências turísticas, ampliando a conexão entre os visitantes e a identidade das comunidades.
O enfoque inclui o apoio técnico e financeiro a comunidades, empreendedores locais e unidades de conservação. A recomendação busca associar o crescimento da atividade turística à participação dos territórios e à preservação dos recursos culturais e naturais que sustentam os destinos.
Ao incluir sustentabilidade entre os nove eixos, o documento reforça a necessidade de considerar os efeitos da visitação sobre o ambiente, o patrimônio e as populações locais. A proposta, conforme apresentada pelo setor, é fazer com que o turismo avance sem desassociar desenvolvimento econômico, conservação e valorização cultural.
Dados e inovação no planejamento do setor
A utilização de dados, observatórios e inteligência artificial também integra as recomendações. Essas ferramentas são apontadas como recursos para acompanhar os fluxos de visitantes e apoiar decisões de planejamento, divulgação e gestão dos destinos mineiros.
O uso de tecnologia aparece relacionado à inovação e à necessidade de compreender melhor o comportamento da demanda turística. Com informações organizadas, gestores e empreendedores podem identificar desafios e oportunidades de cada região, desde que as ferramentas sejam incorporadas ao planejamento e à governança do setor.
As propostas para o ciclo 2027-2030 serão apresentadas aos candidatos ao governo de Minas Gerais. A agenda coloca em discussão os gargalos de infraestrutura, conectividade, qualificação, sustentabilidade e gestão que influenciam a competitividade do turismo estadual. A adoção das recomendações dependerá, porém, das decisões e políticas que venham a ser formuladas no debate institucional e eleitoral.

