O Governo de Minas Gerais apresentou, em 28 de setembro de 2026, a Carta do Pilar, documento que propõe uma nova forma de avaliar o desenvolvimento do turismo no estado. A iniciativa foi lançada em Ouro Preto durante as atividades do Dia Mundial do Turismo e reúne dez princípios voltados à sustentabilidade, à participação social, à preservação do patrimônio e à distribuição dos benefícios econômicos entre os territórios.
Segundo a Agência Minas, a proposta pretende ampliar os critérios tradicionalmente usados para medir o desempenho do setor. Em vez de considerar apenas a quantidade de visitantes, a carta também prevê a análise de aspectos como a permanência da riqueza nas comunidades, a qualidade da experiência, a acessibilidade, a conectividade e os limites de cada destino.
Mais do que contar visitantes
A mudança de perspectiva considera que o crescimento do turismo não deve ser medido somente pelo fluxo de pessoas. Para o documento, também é necessário observar se a atividade fortalece os negócios locais, gera oportunidades para os moradores e contribui para conservar os bens culturais e naturais que atraem os visitantes.
Entre os princípios apresentados está a valorização da cultura como um elemento vivo, ligado ao cotidiano das comunidades e não apenas como uma atração para consumo turístico. A Carta do Pilar também destaca a necessidade de envolver os moradores nas decisões sobre o futuro dos territórios, especialmente em cidades históricas, áreas de natureza e localidades com tradições próprias.
Outro ponto é a distribuição dos benefícios econômicos. A proposta busca estimular um modelo em que a renda gerada pelo turismo permaneça de forma mais significativa nos municípios e regiões visitados, alcançando trabalhadores, empreendedores, produtores e comunidades que participam da cadeia turística.
Participação de municípios e comunidades
A adesão à Carta do Pilar poderá ser feita por municípios, empresas, instituições, universidades, organizações da sociedade civil, trabalhadores do setor e comunidades. A abertura para diferentes participantes pretende transformar os princípios em uma referência compartilhada para o planejamento e a gestão do turismo em Minas Gerais.
O acompanhamento da implementação deverá envolver o Conselho Estadual de Turismo, o Observatório do Turismo e as instâncias de governança regionais. Esses espaços terão a responsabilidade de observar os avanços e os desafios relacionados à aplicação dos princípios nos diferentes destinos do estado, respeitando as características de cada localidade.
A carta também prevê a divulgação de uma síntese pública anual sobre o andamento da proposta. De acordo com a Agência Minas, esse balanço não deverá criar um ranking entre os destinos mineiros. A intenção é acompanhar a evolução das políticas e identificar desafios, sem estabelecer uma competição entre cidades ou regiões com perfis turísticos distintos.
Impacto para o turismo em Minas Gerais
A discussão ocorre em um setor de grande peso para a economia estadual. Dados apresentados pelo Governo de Minas indicam que o estado recebeu cerca de 33 milhões de visitantes em 2025. Ainda segundo a publicação oficial, o turismo representa aproximadamente 7% do Produto Interno Bruto estadual e movimenta cerca de R$ 80 bilhões por ano.
Esses números ajudam a dimensionar o alcance da proposta. Uma mudança nos indicadores usados para avaliar a atividade pode influenciar decisões de gestores públicos, empresas, entidades regionais e comunidades. Na prática, o desempenho de um destino poderá ser relacionado não apenas à quantidade de turistas, mas também à conservação do patrimônio, à proteção da natureza e à capacidade de oferecer experiências qualificadas e acessíveis.
Ouro Preto foi escolhida para a apresentação por sua relevância histórica e cultural. A cidade representa um dos principais destinos de patrimônio de Minas Gerais e sintetiza parte dos desafios discutidos pela carta: conciliar a preservação de bens culturais, a circulação de visitantes, a participação dos moradores e a geração de renda local.
Próximos passos
A proposta agora depende da adesão dos diferentes atores do setor e do acompanhamento pelas estruturas estaduais e regionais de governança. A aplicação dos princípios deverá considerar as particularidades de cada destino, sem impor uma única fórmula para cidades históricas, áreas de natureza, comunidades tradicionais ou regiões com vocação para o turismo rural e cultural.
Ao colocar sustentabilidade, identidade, acessibilidade e participação comunitária no centro do debate, a Carta do Pilar sinaliza uma tentativa de redefinir o que significa desenvolver o turismo em Minas Gerais. A avaliação do setor passa a incluir os efeitos da atividade sobre quem vive nos destinos, sobre o patrimônio que os caracteriza e sobre a capacidade de manter benefícios econômicos no próprio território.

