A identidade do idoso é um bem tão precioso quanto sua saúde física e tão vulnerável quanto ela. O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria, com ampla expertise na área e fundador do projeto social Humaniza Sertão, entende que preservar o senso de identidade do idoso é parte do cuidado geriátrico integral. Já que, com o envelhecimento, mudanças nos papéis sociais, na capacidade física e na rotina diária podem provocar uma crise silenciosa de identidade que compromete o bem-estar emocional e a motivação para o autocuidado. Neste artigo, você vai entender por que a identidade importa para a saúde e como protegê-la no envelhecimento. Acompanhe.
Por que a identidade é tão vulnerável na terceira idade?
A identidade humana é construída ao longo da vida por meio de papéis, relações, habilidades e narrativas que definem quem somos. Na terceira idade, muitos desses elementos sofrem rupturas simultâneas. Dentre eles, destacam-se: a aposentadoria, que elimina um papel central; a perda de cônjuges e amigos, que reduz as relações de referência; a diminuição da capacidade física, que compromete habilidades que sempre foram parte da autoimagem. Em suma, essas perdas acumuladas podem provocar uma desorientação identitária profunda que se manifesta como depressão, apatia e perda de propósito.
O doutor Yuri Silva Portela explica que reconhecer essa dimensão é fundamental para um cuidado geriátrico completo. Por isso, o idoso que perde seu senso de identidade perde também a motivação para cuidar de si mesmo, para seguir tratamentos e para se engajar com a vida ao redor. Preservar essa identidade é, portanto, uma intervenção de saúde com impacto que se estende por todas as dimensões do bem-estar na terceira idade.
Como o cuidado humanizado protege a identidade do idoso?
O cuidado humanizado protege a identidade do idoso ao tratá-lo como protagonista de sua própria história, não como receptor passivo de decisões tomadas por outros. Assim, perguntar sua opinião, respeitar suas preferências, incluí-lo nas decisões sobre seu próprio tratamento e valorizar sua experiência de vida são gestos que reafirmam sua identidade de forma contínua e significativa.
De acordo com o doutor Yuri Silva Portela, o projeto pratica essa proteção da identidade em cada ação. Ao envolver os idosos atendidos nas conversas sobre saúde da comunidade, ao valorizar seus conhecimentos locais e ao oferecer cuidados que respeitam sua cultura e seus valores, o projeto comunica constantemente que cada pessoa atendida é única, tem história e merece ser vista em sua totalidade.

A continuidade do vínculo também protege a identidade. De maneira que o idoso que é acompanhado regularmente pelo mesmo profissional, que sente que é lembrado e reconhecido a cada consulta, tem seu senso de continuidade e de valor pessoal reforçado de formas que têm impacto real sobre sua saúde emocional e sua disposição para o autocuidado.
Como as famílias preservam a identidade do idoso no cotidiano?
As famílias preservam a identidade do idoso ao manter vivos os elementos que sempre o definiram. Tendo em vista que estimulá-lo a continuar praticando atividades que sempre foram suas, a contar suas histórias, a manter seus rituais e hábitos pessoais e a expressar suas opiniões são formas de afirmar que ele continua sendo quem sempre foi, independentemente das limitações que o envelhecimento trouxe.
Yuri Silva Portela pondera que os pequenos gestos de reconhecimento têm impacto enorme sobre a identidade do idoso. Pedir seu conselho, lembrar de suas preferências e celebrar suas conquistas passadas e presentes são práticas acessíveis que qualquer família pode incorporar ao cotidiano com benefícios imediatos e duradouros sobre o bem-estar emocional do idoso.
Preservar a identidade é preservar a dignidade
A identidade do idoso é o fio que conecta quem ele foi a quem ele ainda é. Portanto, preservá-la é garantir que o envelhecimento não apague a riqueza de uma vida inteira vivida com intensidade e propósito.
O doutor Yuri Silva Portela reforça que cuidar da identidade do idoso é cuidar de sua dignidade mais profunda. Veja o idoso que você ama em toda a sua história e em todo o seu valor. Esse reconhecimento é o mais poderoso presente que você pode oferecer.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
