Decreto estadual proíbe anúncios e patrocínios de casas de apostas em bens públicos e eventos apoiados pelo Governo de Minas.
Uma nova regra publicada em Minas Gerais passou a limitar a presença de casas de apostas em espaços ligados ao poder público estadual. O Decreto nº 49.279, assinado em 20 de agosto e publicado no Diário Oficial em 21 de agosto, proíbe a veiculação de publicidade, propaganda, promoção comercial ou patrocínio de operadores de apostas de quota fixa, as chamadas bets, em bens públicos estaduais e em eventos promovidos ou apoiados pelo Poder Executivo. (Assembleia Legislativa de Minas Gerais)
A medida também alcança publicidade de plataformas de conteúdo adulto e serviços de cunho sexual, mas é a restrição às bets que pode gerar maior impacto no cotidiano, principalmente em locais esportivos e eventos públicos. Para o mineiro, a principal dúvida é prática: onde a publicidade de apostas deixa de aparecer e o que a nova regra realmente muda? A resposta envolve estádios, equipamentos públicos, eventos patrocinados e diferentes formatos de divulgação.
Onde a publicidade de bets está proibida em Minas Gerais
O decreto estadual estabelece uma restrição ampla para os bens públicos e para eventos promovidos ou apoiados pelo Poder Executivo de Minas Gerais. A regra não trata apenas de outdoors ou placas tradicionais: o texto também alcança painéis, faixas, banners, totens, luminosos, painéis eletrônicos e outros equipamentos utilizados para publicidade. Também são mencionadas inserções em telões, sistemas de sonorização, naming rights, denominação de espaços, ações de ativação de marca e distribuição de materiais publicitários. (Assembleia Legislativa de Minas Gerais)
Isso significa que a mudança pode ser percebida de maneiras diferentes pelo cidadão. Um estádio ou outro equipamento público estadual não poderá exibir normalmente uma marca de apostas nas estruturas destinadas à publicidade, por exemplo. A restrição também alcança eventos promovidos ou apoiados pelo Executivo estadual, criando uma barreira para que uma bet apareça como patrocinadora ou parceira comercial dessas atividades. A norma, portanto, vai além da simples retirada de um anúncio e procura impedir diferentes formas de associação entre a estrutura pública e o setor de apostas.
Outro ponto importante é diferenciar a nova regra estadual de uma proibição geral das apostas esportivas. O decreto não determina que um adulto deixe de utilizar plataformas legalmente autorizadas nem elimina a publicidade de bets em todos os meios existentes em Minas Gerais. O foco está nos bens públicos estaduais, na comunicação institucional e nos eventos que tenham participação do Poder Executivo estadual, conforme os limites estabelecidos pela própria norma. (Assembleia Legislativa de Minas Gerais)
Por que a medida pode afetar estádios, eventos e o futebol mineiro
O impacto tende a ser particularmente perceptível no esporte, porque clubes, estádios e competições possuem forte relação comercial com empresas de apostas. Em Minas Gerais, a discussão ganha importância por envolver espaços esportivos que recebem grande público e que podem ter algum tipo de relação com o patrimônio ou a gestão pública. O decreto alcança bens públicos estaduais e eventos apoiados pelo Executivo, inclusive quando há exploração comercial de diferentes áreas de um equipamento. (Assembleia Legislativa de Minas Gerais)
Na prática, a medida pode reduzir a exposição de marcas de bets em determinadas propriedades públicas, mas não significa automaticamente que todos os patrocínios de apostas existentes no futebol mineiro desaparecerão. A abrangência depende de quem administra o espaço, da natureza do evento, do contrato existente e da relação com o poder público estadual. Essa distinção é importante para evitar a interpretação de que o decreto proibiu toda publicidade de apostas em Minas.
A iniciativa também ocorre em um momento no qual a Assembleia Legislativa de Minas Gerais discute diferentes propostas relacionadas à publicidade das bets. Um exemplo é o Projeto de Lei 6.019/2026, apresentado em agosto, que propõe proibir publicidade, patrocínio e divulgação de apostas quando houver utilização de recursos públicos ou bens e equipamentos públicos estaduais. A proposta menciona áreas como educação, saúde, cultura, esporte e lazer, além de portais e redes sociais oficiais. (Assembleia Legislativa de Minas Gerais)
Outra proposta em tramitação, o PL 5.996/2026, busca proibir publicidade de plataformas de apostas nas rodovias estaduais, faixas de domínio e áreas administradas pelo Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais. Isso mostra que o debate político no Estado não está restrito aos estádios: ele também envolve a exposição de publicidade em locais de circulação cotidiana dos mineiros. (Assembleia Legislativa de Minas Gerais)
O que muda para o consumidor e quais são os próximos passos
Para o consumidor, a principal consequência imediata é a redução da presença de publicidade de apostas em determinados ambientes públicos estaduais. A mudança pode ser relevante especialmente para pessoas que frequentam eventos esportivos, culturais e institucionais promovidos ou apoiados pelo governo. A lógica adotada é separar o patrimônio e a comunicação oficial do Estado de campanhas comerciais de empresas de apostas, evitando que a estrutura pública seja utilizada para promover esse tipo de serviço. (Assembleia Legislativa de Minas Gerais)
A discussão também envolve prevenção de problemas relacionados ao jogo. Na Assembleia, projetos apresentados em 2026 defendem medidas de proteção ao consumidor, crianças, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade, além de ações contra jogo patológico e superendividamento. O PL 5.745/2026, por exemplo, propõe regras específicas para publicidade e patrocínio de plataformas de apostas, incluindo alertas sobre riscos e restrições a conteúdos direcionados ao público infantojuvenil. (Assembleia Legislativa de Minas Gerais)
O ponto de atenção agora é acompanhar como o decreto será aplicado nos contratos, eventos e equipamentos vinculados ao Estado. Também será necessário observar o avanço dos projetos que tramitam na ALMG, porque uma eventual legislação estadual poderá ampliar ou detalhar as restrições atualmente estabelecidas pelo decreto. A Assembleia já registra diferentes proposições sobre o tema, incluindo iniciativas relacionadas a publicidade em transporte coletivo e equipamentos públicos. (Assembleia Legislativa de Minas Gerais)
Para o mineiro, a mudança representa mais um capítulo de um debate que combina publicidade, esporte, consumo e proteção financeira. O decreto já estabelece uma restrição concreta sobre a utilização de bens públicos estaduais e eventos apoiados pelo Executivo, enquanto novas propostas podem ampliar as regras no futuro. Por isso, quem notar a retirada de marcas de bets de determinados espaços públicos não deve interpretar a medida como o fim das apostas esportivas no Estado. O que mudou, de imediato, é a relação entre essas empresas e determinados ambientes sob responsabilidade do poder público estadual. (Assembleia Legislativa de Minas Gerais)

